segunda-feira, 19 de junho de 2017

Lenovo desiste da CCE e devolve empresa para antigos donos



Em 2012, a Lenovo comprou a CCE por R$ 300 milhões com a ambição de ser a maior fabricante de PCs no Brasil. O plano não deu certo, e o negócio foi desfeito.
A Lenovo divulgou um comunicado à imprensa dizendo que “concordou em vender a marca e a fábrica da CCE para seus antigos proprietários, a família Sverner”. O acordo foi fechado em agosto.
Isso não significa que a Lenovo vai sair do Brasil: a empresa avisa que manterá suas operações na fábrica em Itu (SP), e continuará vendendo sua linha de PCs, servidores e também os smartphones da Motorola.
O que aconteceu? Há três anos, a Lenovo divulgava sua ambição de ser a líder em PCs no Brasil, para desbancar a Positivo.
No entanto, a Lenovo/CCE só conseguiu o primeiro lugar entre janeiro e junho de 2014, perdendo-o novamente para a Positivo. E em 2015, quem assumiu a liderança nas vendas de computadores foi a Dell.
A operação da Lenovo no Brasil saltou de quase US$ 400 milhões para US$ 1,5 bilhão; segundo o Valor, esse crescimento acelerado fez aumentar o índice de produtos com defeito. A Lenovo/CCE foi a terceira empresa mais reclamada no ano passado, segundo ranking do Procon-SP. Empresas de produtos quase nunca aparecem entre as dez primeiras colocadas.

Fábrica da CCE na Zona Franca de Manaus
Além disso, a venda de PCs está em queda livre no Brasil. O IDC afirma que houve uma redução de 38% no mercado entre abril e junho, se comparado ao mesmo período do ano passado. Caímos da 7ª para a 8ª colocação no mercado mundial.
Pior: a Lenovo queria expandir a presença da CCE em outras áreas, como TVs. No entanto, ela desistiu de fabricar televisores no ano passado – o mercado é dominado pelas coreanas Samsung e LG.
Assim, não é muita surpresa que a Lenovo tenha deixado a CCE. E o Valor explica que a família Sverner não precisou pagar um centavo para recuperar sua antiga empresa: o contrato de 2012 estabelecia que a Lenovo só seria dona quando pagasse a parcela final da aquisição. Ela decidiu não fazer o último pagamento e devolveu o negócio.
Foi literalmente um negócio da China!
A marca CCE continuará existindo no Brasil, assim como a Lenovo e Motorola.
A forte crise econômica e política vivida pela Venezuela derrubou o volume de exportações brasileiras para o vizinho sul-americano ao menor valor na última década. A tendência de queda começou em 2013, mas se acentuou agora. Considerando o acumulado de janeiro a julho em relação ao mesmo período de 2015, a exportação caiu 63%.
Em 2008, as exportações para a Venezuela alcançaram US$ 5,2 bilhões, número que caiu para US$ 3 bilhões no ano passado. De janeiro a julho de 2016, ficaram em US$ 700 milhões, ante US$ 1,8 bilhão no mesmo período de 2015, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.



Para o diretor de desenvolvimento industrial da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, o “rebaixamento” da Venezuela no Mercosul – Brasil, Argentina e Paraguai vêm se opondo à presidência venezuelana no bloco – seria pouco sentido pelos exportadores brasileiros, porque o comércio bilateral foi perdendo força ao longo dos anos. “É sempre ruim perder um parceiro comercial, mas, neste caso, estamos quase no zero. Os empresários brasileiros não querem arriscar vender para lá porque não têm confiança de que vão receber”, afirma.
Na comparação com os países do Mercosul, a Venezuela foi o segundo principal destino das exportações brasileiras, ficando atrás apenas da Argentina, até 2015. Neste ano, perdeu participação e hoje é o país com a menor relevância para as exportações, sendo ultrapassada por Paraguai e Uruguai.
Segundo Abijaodi, os poucos que ainda exportam para a Venezuela são de atividades relacionadas à alimentação, que ainda conseguem receber. Dos dez principais produtos vendidos ao vizinho, cinco são alimentos. Mesmo assim, a desaceleração das compras da Venezuela fez com que o país perdesse o posto de principal importador de produtos do agronegócio brasileiro na América do Sul. O posto atualmente é do Chile. O setor mais afetado é o de carnes.
Em relação às exportações de manufaturados, os bens mais elaborados produzidos pela indústria, a Venezuela foi o segundo principal destino das exportações brasileiras apenas em 2012, ano que aderiu ao bloco. Já em 2013, perdeu a posição para o Paraguai e hoje é o país com a menor relevância para as exportações de manufaturas.
O diretor da CNI lembra que, em último caso, fora do Mercosul, o Brasil já tinha assinado tratado comercial com os venezuelanos que garante as mesmas tarifas do bloco, o que pouco afetaria a relação comercial dos dois países se a Venezuela deixasse o bloco.
Já as importações brasileiras estão concentradas em produtos do complexo petroquímico. Apenas a nafta representa mais da metade das compras da Venezuela.